
Curiosidade
talvez matou o gato; o mais provável
foi um azar lamentável, ou o gato curioso
quis conhecer a morte, sem motivo
para lamber as presas, ou conceber ninhada
na ninhada dos gatinhos, como era plausível.
No entanto, ser curioso
é muito perigoso. Suspeitar
do que sempre é dito, do que parecia,
ter dúvidas estranhas, impedir a fantasia,
Sair de casa, farejar ratos, ter rações
não estima gatos para sociedades de cães
onde cestas asseadas, esposas educadas e boas refeições
são a ordem das coisas, e onde imperioso
é o abanar de cabeças e caudas incuriosos.
Admita. Curiosidade
Em si não nos mata –
Mas sua falta é fatal.
Nunca querer avistar
o outro lado do canal
ou aquele país inverossímil
onde viver é formidável
(talvez seja detestável)
para nós seria letal.
Somente os curiosos
têm, se vivem, uma lenda
para contar no final.
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